Sentimos muito mas seu browser não é suportado pela Marsh.com

Para uma melhor experiência, por favor faça o upgrade para um dos seguintes browsers:

X

Pesquisas & Informativos

O Preço da Saúde em Tempo de Crise e os Desafios da Gestão

 


Temos um ano desafiador no que tange ao controle da evolução dos custos médicos. Mas é possível mitigá-los, de forma integrada e coesa, propiciando uma relação custo versus benefício mais equilibrada no longo prazo

Historicamente, os custos dos planos de saúde têm crescido acima da inflação de preços no Brasil. E, em situações de pouco crescimento do PIB ou em momentos de crescimento do PIB negativo, como nos dias atuais, este fenômeno se agrava. Este crescimento real é o que chamamos de inflação médica, que nada mais é do que a soma das parcelas da inflação de preços e do crescimento real dos custos médicos, também conhecido por VCMH – Variação dos Custos Médicos e Hospitalares.

Para 2016, entendemos que quatro diferentes fatores irão influenciar negativamente a composição dos custos de saúde. O ano começou com a taxa de câmbio superando os R$ 4,00 no mês de janeiro e deve rondar esse patamar ao longo dos próximos meses, principalmente se o desempenho da economia se mantiver nos níveis atuais. Considerando que nas internações hospitalares há um peso importante dos materiais e medicamentos utilizados e que estes itens muitas vezes dependem de importações, ao compararmos o ano de 2016 versus 2015 neste quesito encontraremos uma variação importante que contribuirá para o aumento real dos custos médicos

Como em todo o ano par, a ANS acrescenta novos procedimentos já a partir de janeiro. Neste ano, serão 21 novos procedimentos concentrados em novos exames laboratoriais, mais um medicamento para tratamento oral de câncer e ampliação do número de consultas para fonoaudiologia, nutricionistas, fisioterapeutas e psicoterapeutas

A prosseguir a atual situação econômica do país, é esperado que em 2016 tenhamos um volume de demissões expressivo. Alguns analistas já falam na perda de 1 milhão de empregos com carteira assinada ao longo do ano. Se por um lado este movimento pode trazer algum corte de custo para a empresa no que se refere, por exemplo, ao pagamento de prêmios para o plano de saúde, por outro é sabido que nestes momentos de incerteza a tendência é que as pessoas utilizem o plano com maior intensidade ou mesmo após a demissão, nos modelos de extensão determinados pela Lei 9656/98, nos seus artigos 30 e 31.

Ainda não sabemos qual será a extensão dos males causados pelo Aedes Aegypti, tanto na contração de dengue, quanto da febre chikungunya e do zika vírus. De qualquer modo, espera-se que tenhamos um aumento da procura pelos exames rápidos, incluídos pela ANS no rol de procedimentos a partir de janeiro deste ano, trazendo aumento real nos custos médicos.

Esses quatro fatores, expostos acima, em conjunto com os demais fatores explanados, podem fazer com que os custos médicos em 2016 superem a casa dos 20%. Desde 2011, o índice cresce continuamente acima de dois dígitos e bate um recorde preocupante com alta de 19,3% nos últimos 12 meses, encerrados em dezembro de 2015 (publicação do Instituto de Saúde Suplementar em 17/05/2016 - IESS). Vale lembrar que os dois primeiros itens acima influenciam diretamente no VCMH e os outros dois na utilização propriamente dita dos planos (sinistralidade).

Fica claro, pelo que examinamos até aqui, que teremos um ano desafiador pela frente, no que tange ao controle da evolução dos custos médicos. Porém reforçamos nossa convicção que, a despeito de que não temos como atuar em determinados fatores, em outros é possível mitigar os impactos esperados, de forma integrada e coesa, propiciando uma relação custo versus benefício mais equilibrada no longo prazo. Alguns exemplos:

Revisão do desenho dos planos de saúde oferecidos aos empregados ativos e inativos, tornando-os mais simples, porém garantindo um nível de satisfação adequado e a manutenção de sua qualidade;

Introdução de mecanismos de compartilhamento de custos empresa e empregado, principalmente os modelos de co-participação (fator moderador), muito importantes na criação de um ambiente de parceria e responsabilidade conjunta;

Desenvolvimento de programas de prevenção e educação à saúde, visando a melhoria da qualidade de vida das pessoas, fundamental no controle dos custos assistenciais a médio e longo prazos;

Mapeamento dos riscos de saúde dos empregados e seus familiares, com o objetivo de se identificar as populações com grau mais elevado de riscos e que necessitam de atenção imediata;

Desenvolvimento de programas de gerenciamento de doenças crônicas e de casos de alto risco;

Investimento em programas de comunicação com os empregados, fazendo com que o plano de saúde seja utilizado com mais consciência, eliminando assim boa parte dos custos associados à utilização indevida ou desnecessária;

Construção de um modelo de gestão integrando as principais ações de saúde, relacionadas com a medicina assistencial e ocupacional, criando bancos de dados históricos visando um melhor gerenciamento da informação ao longo dos anos.

Estas ações podem ser tomadas em conjunto ou até mesmo isoladamente, porém notadamente algumas delas envolvem investimentos de médio e longo prazo e nem sempre de fácil mensuração. O importante é que as empresas tenham a consciência de que é necessário dar o primeiro passo, mesmo que aparentemente tímido, mas que certamente servirá para reduzir a inquietação que hoje vivem, em relação ao benefício saúde.

Variáveis da inflação médica

De forma geral, o crescimento dos custos médicos acima da inflação de preços se dá devido a variáveis que, em alguns casos, estão fora do controle das empresas. Por exemplo:

O aumento da expectativa de vida das pessoas, que passam a utilizar por mais tempo os serviços médicos;

O aparecimento de novas doenças e o consequente avanço da medicina para enfrentá-las, desenvolvendo novas tecnologias e novos equipamentos de última geração;

A inclusão de novos procedimentos ao rol mínimo determinado pela ANS;

O custo sempre crescente dos medicamentos e materiais cirúrgicos, cuja política de preços é regida segundo as leis do mercado;

As negociações das operadoras de planos de saúde com hospitais, clínicas e laboratórios, às quais a empresa compradora de serviços não tem acesso;

Os movimentos da classe médica por melhores condições de remuneração, igualmente sem a participação das empresas neste processo;