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BLOG: RISK IN CONTEXT

Embarcadores x Transportadores

Por Sergio Caron 01 Novembro 2018

Nos últimos cinco anos, observamos uma significativa mudança de comportamento do mercado de seguros de transporte de carga no Brasil.

De 2013 a 2018, o prêmio do seguro atrelado aos embarcadores de carga sofreu queda de quase 2% ao ano. É um mercado, portanto, que vem encolhendo seus prêmios de seguro. Por outro lado, nesse mesmo período, temos um crescimento de quase 7% ao ano no que diz respeito ao volume de prêmio do transportador rodoviário, que se vê obrigado a contratar o seguro de responsabilidade civil pela carga transportada.

Trata-se de um cenário inédito no Brasil: pela primeira vez, o percentual de prêmio dos embarcadores no volume total de seguros de carga é menor que o dos transportadores. Isso significa não apenas um crescimento isolado do prêmio dos transportadores, mas um importante aumento de representatividade desse setor na distribuição dos prêmios. Não há como negar: os transportadores hoje são mais expressivos nessa carteira de seguros que os embarcadores.

Há também observações pertinentes no que diz respeito à sinistralidade em geral. Ambas as partes – embarcadores e transportadores – vêm fazendo sua lição de casa, mas percebe-se que em função do aumento do prêmio dos transportadores, o resultado de sinistralidade da carteira desse setor está mais favorável, apresentando uma recuperação maior. Os sinistros dos transportadores caíram de 66% para 61%, enquanto os dos embarcadores apresentaram uma redução mais modesta, de 60% para 58%, conforme dados públicos do site da Susep.

Muito disso é resultado de uma ação mais assertiva praticada pelos transportadores, que, entre outras medidas, adotaram um maior controle de suas declarações de embarque e um acompanhamento tecnológico mais maciço. Ao mesmo tempo, muitas empresas embarcadoras realizaram negociações como parte de programas globais, ainda que com emissão local de apólices. Outro grande fator de queda dos prêmios dos embarcadores é a queda expressiva de taxas dos seguros de transportes internacionais, devido à melhor experiência desta carteira, entre outros pontos.

Não é de se espantar que tudo isso provoque um impacto no mercado das seguradoras do país. No final do ano passado, sete das dez maiores seguradoras de carga no Brasil já tinham uma carteira maior em seguro de transportador. Mais que os embarcadores, hoje os transportadores são responsáveis pelo maior negócio das empresas de seguros de transportes.


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