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BLOG: RISK IN CONTEXT

Os Seguros em Tempos de Disrupção

Por Ana Patricia Giraldo 08 Junho 2017

Em uma época marcada por progressivos avanços tecnológicos, todos falam de uma constante: um mundo cada vez mais cheio de riscos. Isto é, sem dúvidas, algo preocupante, mas para nós que estamos no mercado segurador, este cenário também representa a oportunidade ideal para desempenharmos um papel de protagonistas.

Entretanto, isso não é necessariamente certo. Todos sabem que um risco assegurável é tudo aquilo que está entre a certeza e a impossibilidade, e este parece ser um campo enorme para o seguro. Todavia, este campo está cada vez mais estreito, especialmente para os riscos tradicionais devido aos avanços tecnológicos exponenciais da humanidade.  A tecnologia é um elemento disruptivo em muitos aspectos, e o mercado segurador não foge da influência desta realidade. É possível notar isto, no impacto substancial do que se considera incerto, o que consequentemente altera a forma com que todos interagem neste mercado.

Pensem nas provas de previsibilidade genética que permitem, com um alto grau de certeza, antecipar doenças que a pessoa terá e a causa de sua morte, décadas antes que isso ocorra. Também devemos incluir em nossa análise os avanços da biotecnologia, que desde já anunciam (acreditem ou não) a possibilidade de detectar o câncer desde suas etapas iniciais mediante de amostras de sangue (por exemplo o mirOculus). Para complementar nosso panorama, imaginem a IBM substituindo nossos médicos voltados para cuidados primários através da inteligência artificial combinada a grandes bases de dados (Big Data) para interpretar sintomas, diagnosticar e prever doenças, e apontar qual o tratamento mais assertivo (veja o Talkspace e o Medroom). Também temos aplicativos de transmissão digital que permitem o monitoramento do comportamento dos segurados (seus hábitos de sono, atividades físicas, sinais vitais e etc.).

Imaginem o impacto deste tipo de ferramentas no processo de precificação, subscrição e avaliação de sinistros de seguros de vida e saúde? Conseguem dimensionar o que pode acontecer quando falamos de seleção de riscos?

Para não irmos longe demais, tomemos outro exemplo: os automóveis. Começaremos pelo mais básico: os automóveis não serão roubados, pois todos os veículos contarão com um GPS que fornecerão sua localização exata. Por outro lado, com os grandes avanços na tecnologia na indústria automotiva, as colisões diminuirão consideravelmente como resultado dos sistemas que substituem o condutor (veja o Driverless Car Program do Google).

Em outro exemplo, podemos ilustrar um terceiro cenário para os seguros de Property e Agrícolas: a chegada dos drones. Seu uso mais evidente está ligado às inspeções de riscos, os relatórios de subscrição e as análises de sinistros, em lugares de alto risco ou difícil acesso por motivos geográficos, climáticos ou de ordem pública. No entanto, é claro que as ferramentas evoluíram e se tornaram valiosíssimas para recolher informações que tornarão menos incerto o que hoje é desconhecido.

Finalmente, não posso deixar de mencionar o impacto do Big Data e as ferramentas de Analytics, que permitem aos assegurados acessar informações que até há pouco tempo estavam quase que exclusivamente na cabeça das seguradoras e resseguradoras. Esta tendência sem dúvida mudará a dinâmica das negociações no mercado de seguros.

Existem muitos mais exemplos deste tipo que hoje são uma realidade e estão transformando nossa indústria. O impacto será profundo e irá muito além da simples comercialização do seguro. A disrupção será ainda maior na medida em que estas ferramentas – que com certeza acontecerá – ficarem mais democratizadas ao se tornarem mais acessíveis, inteligentes e econômicas.

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