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BLOG: RISK IN CONTEXT

A Revolução dos Veículos Autônomos: Como o Seguro Deve Adaptar-se

Por David Carlson 01 Agosto 2018

Todos os dias, crianças são lembradas de não entrarem em carros com estranhos. Entretanto, para muitos de nós esta é uma atividade normal. E na próxima década, talvez as pessoas comecem a utilizar carros que não necessitam de motoristas.

O sistema de transporte e a economia compartilhada entre as empresas estão levando a uma transição revolucionária da individualidade para novas abordagens de mobilidade e acesso aos veículos, que incluem a utilização mais abrangente de veículos autônomos, os quais a Deloitte prevê que representarão mais de 80% de vendas de novos veículos em áreas urbanas em 2040. À medida que as empresas automotivas tentam lidar com o advento dos veículos autônomos e seu impacto em suas operações, também precisam repensar sobre a maneira com que fazem a gestão de seus riscos.

Mudança de Responsabilidade

Carros auto-dirigíveis eventualmente diminuirão a frequência das colisões e o custo total da responsabilidade. Contudo, algumas dores surgirão antes de alcançarmos este ponto. Conforme os veículos autônomos tornam-se mais viáveis e motoristas humanos adaptam-se para dividir as estradas com carros auto-dirigíveis, mais colisões tendem a acontecer no curto-prazo.

Uma vez que os condutores se tornam menos responsáveis pela segurança nas vias, maior será o risco de responsabilidade dos fabricantes, fornecedores de peças e empresas de tecnologia, envolvidos na construção dos veículos autônomos e pelo software que os controla. Segundo um estudo conduzido entre 2005 a 2007 pela National Highway Traffic Safety Administration, a grande maioria – 94% - dos sinistros de automóveis foram provocados por motoristas e somente um pequeno número de colisões aconteceram devido ao mau funcionamento do equipamento. Nas próximas duas décadas, essa equação com certeza mudará, levantando diversas questões para os seguradores sobre como quantificar o risco e o preço da cobertura de seguros.

Uma nova abordagem para o seguro

Em última instância, a abordagem tradicional da responsabilidade de automóveis deve abrir espaço para uma cobertura mais relacionada ao produto ou híbrida. A questão que ainda desafia a cobertura convencional de veículos autônomos é de quem é a culpa da colisão. Se o veículo está sob o controle de um motorista, a cobertura pessoal do automóvel será aplicada. Mas se uma tecnologia autônoma estiver no controle, a responsabilidade muda e é necessária uma cobertura focada na responsabilidade do produto feita pelos fabricantes originais do equipamento (OEMs, sua sigla em inglês).

Para veículos altamente autônomos, existe um forte argumento que os motoristas não podem ser culpados e que qualquer colisão que acontecer é o resultado de falhas no produto. Um fator limitante neste cenário é a velocidade com que essas mudanças serão adotadas pelas seguradoras, uma vez que ainda não existe uma legislação clara sobre o tema e informações de sinistros para acidentes envolvendo veículos autônomos.

Além disto, o acesso à informação em massa coletado pelos veículos pode ajudar a determinar as condições durante as colisões, o que representa um ponto favorável aos seguradores. OEMs e seguradores precisam encontrar um território comum para utilizar esses dados para criarem apólices de seguro híbridas e assegurarem-se que a responsabilidade será justa e definida apropriadamente para proteger os dados do proprietário do veículo.

A sociedade está transitando do veículo individual para carros compartilhados e posteriormente veículos autônomos. Mas para que este futuro se torne realidade, a indústria automotiva e as seguradoras devem estar preparadas para mudar a maneira como enxergam o risco.

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