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Comunicado de Imprensa

O custo real dos desastres naturais pode superar em até 11 vezes o impacto econômico reportado; a Marsh defende o fortalecimento da resiliência empresarial na América Latina

São Paulo, 05 de outubro de 2026.

Marsh (NYSE: MRSH), líder global em serviços profissionais, alerta que a preparação para desastres naturais precisa tornar-se uma estratégia integrada de continuidade dos negócios, proteção financeira e cuidado com as pessoas, ao invés de ser somente uma resposta a emergências.

Em razão do Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, a companhia destaca que os países da América Latina enfrentam exposição combinada a fenômenos hidrometeorológicos e geológicos. Ciclones tropicais, chuvas extremas, inundações e ondas de calor são recorrentes; já os sismos, o vulcanismo, os abatimentos do solo e as rachaduras, embora menos frequentes, podem provocar interrupções severas.

Na América Latina, o impacto dos desastres não se limita aos danos visíveis: ele também inclui interrupções na cadeia de suprimentos, absenteísmo, deslocamentos, perda de produtividade e pressão sobre as finanças públicas e privadas. Essas consequências podem se prolongar mesmo após o fim da emergência.

Na última década, a América Latina acumulou perdas próximas de US$100 bilhões em decorrência de catástrofes naturais, dos quais apenas US$19 bilhões estavam segurados, segundo a Swiss Re: uma lacuna de proteção de aproximadamente 81%. Para as empresas, isso reforça a necessidade de revisar coberturas, avaliação de ativos e liquidez para a recuperação.

Os riscos ambientais ainda são considerados estruturais

De acordo com o Relatório de Riscos Globais 2026, elaborado pelo World Economic Forum em colaboração com a Marsh, os fenômenos meteorológicos extremos aparecem entre os riscos de maior severidade nos próximos dez anos. Essa tendência também se reflete na Pesquisa de Adaptação Climática da Marsh, realizada com organizações públicas e privadas de diversos setores: 39% das empresas que relataram perdas ou interrupções provocadas por eventos meteorológicos extremos enfrentaram impactos de múltiplas ameaças. As inundações foram o principal perigo relatado, com 61%, seguidas por estresse hídrico, com 39%, e estresse térmico, com 22%.

A pesquisa mostra que os efeitos climáticos vão além dos ativos físicos: as áreas mais afetadas foram operações e pessoas, com 78%; ativos físicos e infraestrutura crítica, com 61% cada; e fornecedores, com 56%. Para a América Latina, onde convergem exposição climática, desigualdade de infraestrutura e dependência de cadeias regionais, a mensagem é clara: a resiliência precisa ser incorporada às decisões de investimento, operação e governança, com uma visão que inclua os sistemas dos quais as organizações dependem.

El Niño: o impacto também pode chegar por meio das pessoas

O El Niño pode afetar a continuidade mesmo quando as instalações se mantém. Durante o El Niño Costeiro de 2017, algumas empresas exportadoras do norte do Peru chegaram a operar com cerca de 30% do quadro de funcionários e registraram quedas de produção de até 20% por absenteísmo.

Águas paradas favorecem dengue, zika e chikungunya; a piora na oferta de água potável eleva o risco de doenças gastrointestinais, e o calor aumenta os casos de insolação e exaustão térmica. Em Piura, foram confirmados 6.270 casos de dengue durante 2017, além de casos de chikungunya e leptospirose, de acordo com a OPS.

“O impacto do El Niño não se limita ao físico ou ao financeiro. Quando o fenômeno dispara doenças, absenteísmo e exaustão, a produtividade cai mesmo que a estrutura esteja intacta. A saúde da força de trabalho é uma variável de continuidade do negócio”, afirmou Percy Mesías, Gerente VP de Segurança e Saúde Ocupacional da Marsh Peru.

No Brasil, o El Niño deve ser tratado como um risco climático recorrente, com impactos concretos sobre a continuidade dos negócios. Historicamente, seus efeitos variam por região, seguindo o mesmo padrão histórico - com chuvas extremas e inundações no Sul, seca severa na Amazônia e no Nordeste, além de ondas de calor, incêndios e pressão sobre reservatórios em outras regiões do país. Na prática, isso afeta o agronegócio, a infraestrutura, a logística, a energia e a circulação de pessoas e mercadorias, com reflexos diretos sobre custos, prazos e disponibilidade.

“Para organizações que operam no Brasil, a variedade de riscos a que a empresa está exposta é proporcional à quantidade de unidades e localização dessas unidades, isso reforça a necessidade de uma visão integrada de resiliência: antecipar vulnerabilidades, proteger a força de trabalho, revisar planos de continuidade e fortalecer a capacidade de resposta antes que o evento se materialize”, afirma Marcos Mello, Diretor de Consultoria de Riscos da Marsh Brasil.

A Marsh recomenda antecipar picos de demanda em benefícios de saúde, reforçar protocolos para estresse térmico e segurança da água, prevenir criadouros, proteger o bem-estar emocional e mapear funções críticas. Na região, a preparação também deve considerar moradia, família e mobilidade dos colaboradores.

Temporada de furacões 2026: a previsão não elimina a exposição

A temporada de ciclones tropicais de 2026 mantém a necessidade de preparação no México, na América Central, no Caribe e em outras áreas expostas. No Atlântico, ela vai de 1º de junho a 30 de novembro; no Pacífico oriental, de 15 de maio a 30 de novembro. Seus efeitos podem alcançar portos, estradas, redes elétricas, comunidades e fornecedores.

Para empresas instaladas no Brasil, a temporada de furacões do Atlântico também deve ser tratada como um risco de supply chain internacional — mesmo sem qualquer possibilidade de um furacão atingir diretamente o país. O principal canal de transmissão é o Golfo do México, onde se concentram portos, refinarias, petroquímicas, terminais de gás e petróleo e corredores logísticos estratégicos para o comércio mundial. Em muitos casos, o impacto não ocorre no fornecedor direto da empresa brasileira, mas no fornecedor do fornecedor — um típico risco de N-tier supply chain. Mapear esses fornecedores deveria ser uma prioridade estratégica para as empresas.

Entre os exemplos críticos estão o fechamento de portos como Houston, New Orleans, Mobile e Veracruz; a paralisação de plantas petroquímicas no Texas e na Louisiana, com potencial escassez e alta de PE, PP, PVC, químicos e intermediários; a interrupção de refinarias e da produção offshore, pressionando preços internacionais de combustíveis e derivados; e a paralisação de plantas farmacêuticas no Caribe, elevando o risco de escassez de medicamentos e matérias-primas para o setor farmacêutico.

As previsões sazonais não garantem o impacto local de um ciclone. Por isso, as empresas latino-americanas devem atualizar cenários, limites de alerta, estoques, rotas alternativas e mecanismos de comunicação, mesmo quando a atividade prevista seja próxima ou inferior à média.

Sismos: preparar-se para continuar após a evacuação

O México registrou 39.983 sismos durante 2025, de acordo com o Serviço Sismológico Nacional, que atribui o aumento dos eventos reportados principalmente à ampliação da cobertura de monitoramento. Na Colômbia, o Serviço Geológico Colombiano mantém monitoramento permanente da atividade sísmica, especialmente em áreas como o Eixo Cafeeiro, o sudoeste do país e a região Andina. A Venezuela também apresenta exposição sísmica significativa devido à sua localização próxima a sistemas de falhas ativas, como a falha de Boconó, que atravessa parte do oeste do território. Em ambos os países, as autoridades têm reiterado que os sismos não podem ser previstos com precisão, razão pela qual a prevenção e a preparação devem se manter.

A experiência de México, Colômbia e Venezuela é relevante para toda a América Latina: um sismo pode afetar simultaneamente instalações, colaboradores, serviços essenciais, comunicações, fornecedores e cadeias de suprimentos. Além da evacuação, as organizações devem definir quais processos serão retomados primeiro, por quanto tempo poderiam operar de forma remota, quais fornecedores alternativos estão disponíveis e como as pessoas serão protegidas durante e após uma emergência.

“Na América Latina, a gestão de desastres naturais precisa ir além da resposta imediata. As empresas precisam identificar suas operações críticas, avaliar as dependências de fornecedores e serviços essenciais além de testar periodicamente seus planos de continuidade. A preparação permite reduzir o tempo de recuperação, proteger os colaboradores e sustentar a operação mesmo quando uma instalação ou um terceiro crítico é afetado”, afirmou Gerardo Herrera Perdomo, Diretor de Consultoria de Riscos da Marsh na América Latina e no Caribe.

“Os riscos climáticos já estão gerando impactos concretos nas comunidades, nas economias e nas empresas da região. Diante de fenômenos como El Niño, inundações, secas e ciclones tropicais, a resiliência precisa incorporar tanto a adaptação das operações quanto a proteção das pessoas e dos ecossistemas. Integrar clima e sustentabilidade à estratégia empresarial permite antecipar cenários, orientar melhor os investimentos e fortalecer a capacidade de recuperação”, destacou Rodrigo Suárez, Líder Regional de Clima e Sustentabilidade da Marsh América Latina e Caribe.

Sobre a Marsh Risk

A Marsh Risk é um negócio da Marsh (NYSE: MRSH), líder global em riscos, resseguros, capital, pessoas, investimentos e consultoria de gestão, atendendo clientes em 130 países. Com receita anual superior a 24 bilhões de dólares e mais de 90.000 colaboradores, a Marsh ajuda a gerar confiança para prosperar por meio do poder da perspectiva. Para mais informações sobre a Marsh Risk, visite marsh.com, ou siga-nos no LinkedIn e X.

Contato de imprensa

Gabriela Freitas

Gabriela Freitas

Gerente de Comunicação e Imprensa, Marsh Brasil