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Artigo

Riscos tecnológicos na América Latina: lacunas na preparação digital

Descubra como gerenciar riscos tecnológicos e aproveitar oportunidades em IA, cibersegurança e infraestrutura digital para crescer com resiliência.

Como as empresas podem gerenciar os riscos e oportunidades tecnológicas em um ambiente cada vez mais competitivo?

A tecnologia redefine o risco empresarial. IA, segurança cibernética e infraestrutura digital exigem decisões estratégicas baseadas em dados.

Um ambiente global mais fragmentado, com impactos diretos na América Latina

As empresas operam hoje em um contexto de crescente fragmentação política, econômica e social. O Relatório de Riscos Globais 2026 alerta que um em cada dois especialistas prevê um cenário de alta volatilidade nos próximos dois anos, impulsionado por tensões geoeconômicas, polarização social e eventos climáticos extremos.

Na América Latina, esse cenário é agravado por uma combinação crítica: digitalização acelerada, lacunas persistentes na gestão de riscos e alta exposição a eventos disruptivos. De acordo com a análise do relatório, grande parte das organizações reconhece que não possui o nível de preparação necessário para enfrentar incidentes tecnológicos complexos, especialmente aqueles relacionados à cibersegurança, infraestrutura digital e inteligência artificial.

Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser apenas um habilitador operacional para se tornar um fator estratégico que pode amplificar o risco ou fortalecer a resiliência do negócio, dependendo de como é gerenciada.

Como se manifestam os riscos tecnológicos hoje

O relatório identifica um aumento na percepção de desordem global e competição estratégica. O enfraquecimento do multilateralismo, as restrições à cooperação internacional e as pressões econômicas — como o aumento da dívida e da inflação — ampliam os riscos existentes.

Nesse cenário:

  • A inteligência artificial passou de um risco emergente para estar entre os cinco principais riscos de longo prazo a nível global.
  • A insegurança cibernética substitui a guerra cibernética como ameaça prioritária, refletindo a evolução do crime digital.
  • A infraestrutura crítica, especialmente a digital, enfrenta ameaças crescentes de origem climática, física e cibernética.

Esses riscos não atuam isoladamente. Eles se interconectam e podem gerar impactos operacionais, financeiros e reputacionais de grande magnitude, especialmente em economias altamente dependentes de tecnologia.

Relatório de Riscos Globais 2026 | Imagem: Fórum Econômico Mundial

Inteligência artificial: uma oportunidade que exige governança

A IA promete melhorias substanciais em produtividade e eficiência. No entanto, também traz desafios estruturais. O relatório alerta para um possível crescimento econômico em forma de “K”, onde aumentam simultaneamente a produtividade e o desemprego, aprofundando desigualdades sociais, especialmente entre jovens e trabalhadores altamente qualificados.

A isso se somam:

  • A erosão da confiança pública, impulsionada por desinformação e manipulação de conteúdos gerados por IA.
  • O uso crescente de IA com fins militares, que aumenta o risco de escaladas involuntárias em conflitos.
  • A incerteza sobre o retorno do investimento em projetos de IA em grande escala, que adiciona volatilidade ao ambiente financeiro.

Para as empresas, o desafio não é mais apenas tecnológico, mas também ético, reputacional e de governança.

Cibersegurança: de risco técnico a prioridade do conselho

A frequência e sofisticação dos ciberataques continuam crescendo. Casos recentes de ataques à infraestrutura crítica demonstram como os sistemas físicos e digitais estão cada vez mais interconectados e expostos a ameaças híbridas.

Na América Latina, onde muitas organizações dependem de terceiros, cadeias de suprimentos digitais e ambientes operacionais dispersos, um incidente cibernético pode rapidamente resultar em interrupções de negócios, perdas financeiras e danos reputacionais duradouros.

Infraestrutura digital: o novo ponto de vulnerabilidade

A expansão da infraestrutura digital — impulsionada pela nuvem, IA e consumo intensivo de dados — exige investimentos de grande escala. Contudo, também aumenta a exposição a riscos-chave:

  • Eventos climáticos extremos
  • Interrupções na cadeia de suprimentos
  • Vulnerabilidades cibernéticas
  • Incerteza na interconexão energética

A esses fatores, soma-se a computação quântica, que em médio prazo pode comprometer os sistemas criptográficos atuais e ampliar o mapa de riscos digitais.

Quando a tecnologia é bem gerenciada, torna-se uma vantagem

Apesar desse cenário, a tecnologia oferece oportunidades claras para organizações que adotam uma abordagem estratégica:

  • IA responsável como catalisador de produtividade, acompanhada de investimentos em capacitação e adoção inclusiva.
  • Segurança Cibernética integrada à estratégia corporativa, como geradora de confiança e vantagem competitiva.
  • Modernização da infraestrutura digital, com foco em resiliência climática, redundância e sustentabilidade.
  • Preparação antecipada para riscos quânticos, por meio da adoção de padrões criptográficos avançados.

Cinco ações que as empresas podem tomar agora

  1. Integrar ética e gestão de riscos na IA, com marcos claros de governança, transparência e responsabilidade.
  2. Elevar a cibersegurança ao nível do conselho administrativo, incorporando-a à estratégia geral do negócio.
  3. Investir na resiliência da infraestrutura digital, considerando todo o ciclo de vida dos ativos.
  4. Antecipar o impacto da computação quântica, colaborando com governos e indústria.
  5. Fortalecer a adaptabilidade da força de trabalho, por meio de programas contínuos de aprendizagem e requalificação.

Liderar em um ambiente tecnológico complexo

O Relatório de Riscos Globais 2026 confirma que a tecnologia é, ao mesmo tempo, um fator de disrupção e uma ferramenta essencial para construir resiliência. Na América Latina, onde as margens de erro são menores e a exposição ao risco maior, adiar decisões não é mais uma opção.

As empresas que agirem hoje — com uma visão ética da IA, defesas cibernéticas sólidas e uma infraestrutura digital resiliente — estarão mais preparadas para proteger o valor do negócio e manter sua competitividade ao longo do tempo.

Antecipe os riscos tecnológicos antes que impactem seu negócio

Compreender como a inteligência artificial, a cibersegurança e a resiliência digital estão redefinindo o ambiente empresarial é fundamental para tomar decisões informadas.

Relatório de Riscos Globais

Os principais riscos para 2026 e além. Dados e insights de mais de 1.300 especialistas e líderes globais.

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