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Artigo

Evoluindo do modo sobrevivência para o modo expansão

Como migrar da contenção para uma resiliência estratégica (resiliência corporativa, riscos financeiros, transferência de risco).

O sucesso das organizações não é mais uma consequência exclusiva do desempenho operacional ou da solidez financeira. Em um mundo marcado pela incerteza, o crescimento sustentado depende, fundamentalmente, da capacidade de antecipar, mensurar e responder com agilidade ao inesperado.

No entanto, as ações de mitigação de riscos no Brasil são focadas na estabilidade e no controle financeiro, priorizando a sobrevivência acima da expansão. É o que mostra o estudo "Empresas Resilientes: Radiografia do Risco na América Latina 2025", realizado pela Marsh em parceria com a Ipsos para avaliar como empresas nacionais e familiares da região priorizam e abordam os riscos que definem o presente e o futuro de seus negócios.

De acordo com a pesquisa, essa mentalidade é reflexo direto de um ambiente de crises permanentes que combinam volatilidade política, inflação e insegurança regulatória. No Brasil, o contexto forçou as organizações a abandonarem o modo de desenvolvimento para adotar o modo contenção: a resiliência é definida pela manutenção de custos baixos e pela busca por competitividade em um ambiente de crédito caro, onde cada decisão é pautada pela cautela e pela preservação do caixa.

Particularidades da agenda brasileira

Nessa perspectiva, os riscos financeiros dominam a agenda corporativa para 53% das empresas brasileiras, impulsionados principalmente pelas taxas de juros e custos de crédito. Os riscos políticos/regulatórios vêm em segundo lugar na lista de preocupações, seguidos pelos riscos de pessoas: 35% apontam a atração e retenção de talentos como questões prioritárias.

A resposta a esse desafio tem sido interna, com 24% das organizações investindo em programas de capacitação e 13% focando em pacotes de benefícios para garantir a continuidade operacional através de suas equipes.

O modelo de preparo atual, fortemente centrado no desenvolvimento interno e na estabilidade financeira, pode não ser suficiente para neutralizar ameaças sistêmicas, como grandes ataques cibernéticos ou crises políticas de longo prazo. Elas exigem estratégias de mitigação técnica e transferência de risco muito além das fronteiras da gestão de RH e do fluxo de caixa. 

Mesmo assim, 79% das empresas brasileiras entrevistadas afirmam estarem prontas para enfrentar os riscos que afetam seus negócios – o maior índice da região. 

A lacuna entre consciência e ação estratégica

Essa desconexão evidencia uma lacuna crítica entre a consciência do risco e a implementação de medidas efetivas. Embora os riscos financeiros e laborais ocupem o topo da agenda, o mercado brasileiro é o que apresenta a menor taxa de consulta a suporte especializado e corretores na região — apenas 16% das organizações buscam auxílio externo.

As barreiras para uma ação mais robusta são variadas: 51% das empresas acreditam que seus sistemas de gestão interna já são suficientes, enquanto 35% apontam os custos elevados como um impedimento para novos investimentos em segurança.

Há ainda uma parcela significativa (28%) que admite a falta de recursos para priorizar todos os riscos simultaneamente, revelando que a prontidão brasileira pode ser, na verdade, uma forma de resiliência reativa, focada mais em mitigar perdas operacionais imediatas do que em construir uma estrutura de proteção abrangente.

Para garantir um crescimento sustentável, essas organizações precisam evoluir do modo contenção para uma resiliência estratégica. Isso implica reconhecer que a proteção financeira é necessária, mas insuficiente se desacompanhada de uma visão integrada que inclua a mitigação de riscos emergentes e o suporte de parceiros especializados.

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