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Artigo

Principais tendências tecnológicas e modelos emergentes de seguros climáticos

A crise climática exige seguros inovadores e tecnologia para ampliar proteção com adaptação, resiliência e soluções baseadas na natureza.

Marsh na COP30

A crise climática impõe uma nova urgência ao setor de seguros: reinventar modelos de negócio e utilizar a inovação tecnológica para ampliar a oferta de proteção. Este foi o tema central do painel "Promoção de Iniciativas de Seguros Inovadores", realizado na Casa do Seguro durante a COP30.

Moderado por Lucca Rizzo, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), o encontro reuniu especialistas globais para discutir como escalar soluções de proteção financeira em um cenário de riscos crescentes. Swenja Surminski, Diretora Geral de Clima e Sustentabilidade da Marsh McLennan, esteve entre os painelistas convidados, além de Adriana Campelo, do UNDRR), Frederic Olbert, da CarbonPool, Jorge Gastelumendi, do Atlantic Council, e Rachel Delhaise, do IDF e Convex Insurance.

O custo da inação na América Latina 

Para dimensionar o desafio, Swenja apresentou dados de um relatório recém-publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em parceria com a Marsh McLennan. O estudo revela que a América Latina perde cerca de US$ 1,2 milhão a cada hora devido a desastres relacionados ao clima.

Segundo a executiva, essa cifra alarmante explica por que a conferência tem sido chamada de "a COP do seguro": quando o cenário se torna caro e danoso, a busca por proteção aumenta. No entanto, ela ressaltou que o diferencial deste momento não é apenas o volume de apólices, mas a urgência da implementação, já que a inação se tornou financeiramente insustentável.

Três frentes de inovação

Avançando para as soluções, Swenja detalhou três grandes áreas onde o mercado segurador está expandindo sua atuação para enfrentar a crise. A primeira é a transição climática, onde o seguro atua para reduzir o risco de novas tecnologias essenciais, como o hidrogênio verde e a captura e armazenamento de carbono (CCS). 

A segunda frente é a adaptação e resiliência. O foco aqui tem migrado da indenização para o conceito de "construir melhor" (build back better) e para o trabalho direto com cidades na compreensão de seus riscos urbanos.

A terceira frente envolve Soluções Baseadas na Natureza (SbN), que ganham força com regulamentações de responsabilidade ambiental e ganho líquido de biodiversidade.

O desafio do alinhamento entre ciência e mercado

Um dos pontos críticos abordados por Swenja foi a barreira de comunicação que ainda trava o financiamento de projetos verdes. Cientistas que entendem profundamente de ecossistemas nem sempre dominam a linguagem de risco necessária para dialogar com seguradores e investidores de infraestrutura.

Como exemplo de superação desse obstáculo, ela citou a regulação de "Biodiversity Net Gain" (Ganho Líquido de Biodiversidade) no Reino Unido. A norma obriga desenvolvedores imobiliários a garantir ganho de biodiversidade por 40 anos em novos projetos, o que forçou seguradores, construtores e reguladores a criarem uma linguagem comum e modelos compartilhados. "Existe muita expertise prática que já temos e podemos aplicar, sem precisar reinventar a roda para cada projeto de natureza", afirmou.

Ao final, Swenja lembrou que, apesar dos avanços tecnológicos e financeiros, o comportamento humano ainda tende a ser inerentemente reativo. O grande desafio do setor, concluiu, é inverter essa lógica e mobilizar recursos para a prevenção antes que as perdas ocorram.

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